Gestor de máquinas

Consultor acredita que, em poucos anos, metade da mão de obra não será humana.

Anna Carolina Rodrigues

Ignacio Bao, presidente do conselho da Signium Mundial | <i>Crédito: Divulgação
Ignacio Bao, presidente do conselho da Signium Mundial | Crédito: Divulgação
Confira a entrevista realizada por VOCÊ RH com Ignacio Bao, presidente do conselho da Signium Mundial, sobre como as mudanças tecnológicas afetarão, em poucos anos, o ambiente de trabalho. Bacharel em administração e economia pela Vigo University, da Espanha, Ignacio tem 25 anos de experiência em consultoria e recrutamento.

 Como a tecnologia deve influenciar o mercado de trabalho?
Estamos passando pela revolução da inteligência artificial e do big data. Essa capacidade de processar e analisar grande quantidade de dados mudará profundamente nossa vida. Imagine a situação: um empresário liga para um banco espanhol, pede para falar com a área de comércio exterior e pergunta sobre os preços de crédito de uma exportação para a Bulgária. Ele ouve algumas opções e é aconselhado a escolher entre as alternativas mais favoráveis ao negócio. Esse executivo não falou com um ser humano, mas com uma máquina programada com inteligência artificial. Precisamos lidar com a realidade de que muito do nosso entorno não será humano. Isso não é história de ficção científica prevista para daqui a 30 anos. Está ocorrendo.

Como isso deve afetar o líder de RH?
Em alguns anos, esse profissional terá de aprender a gerenciar uma fábrica na qual metade da mão de obra será de máquinas, talvez ciborgues. Hoje, em Pittsburgh, nos Estados Unidos, a Uber oferece um serviço de transporte com 15 carros sem condutor. Há dois anos, isso estava no campo das ideias e dos testes. As mudanças tecnológicas surgem de um ano para outro. Por isso, o executivo de RH deve ter curiosidade e estar atento às inovações.

Você acredita que esse profissional irá gerir não só os humanos mas também as máquinas?
Exatamente. O líder de recursos humanos terá de administrar pessoas e máquinas. Um grupo em Nova York, financiado por companhias de tecnologia, estuda como será o relacionamento entre seres humanos e ciborgues. Debatem questões como: eles terão direitos laborais? Poderão receber heranças? Poderão casar?

E isso entra na alçada de recursos humanos?
De alguém tem de estar. Se acontecer um acidente, alguém deve se responsabilizar. Os diretores de tecnologia ou do jurídico estarão lá, mas quem será o dono da história? Essa é uma batalha que precisa acontecer. Se o líder de RH não assumir o encargo, pode ser que ele deixe de existir por não haver mais recursos "humanos". A tendência é que ele vire diretor de qualquer recurso, mesmo o não humano. É preciso pensar já para onde vamos.

09/12/2016 - 14:40

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